A Sala da Ina

Educação de Infância

Modelo Reggio Emília

em Janeiro 4, 2011

Jornadas Pedagógicas 2008 – Modelos Pedagógicos na Educação de Infância

Escola Superior de Educação de Lisboa

Modelo Reggio Emília
21 de Junho de 2008

A 21 de Junho perante um auditório repleto, a professora Elisa Leandro, deu a conhecer o projecto Reggio Emília.
Com origem em Villa Célia, seis anos após a 2ª guerra mundial, o projecto nasceu da determinação de algumas mães que a partir de escombros construíram uma escola, querendo também implementar uma nova pedagogia. O professor Loris Malaguzzi, também jornalista, entusiamado com a inovação que esta situação criou, seguiu a par e passo este novo projecto e com uma equipa alargada aprofundou e sistematizou o tipo de ensino que estava a surgir.

Com base no impulso natural do ser humano em querer investigar, na valorização do processo de busca e descoberta das crianças, Malagguzi fundamenta as bases do modelo pedagógico na Pedagogia da Escuta e nas Cem linguagens da criança. Integra a a arte enquanto ferramenta para o pensamento. Os educadores têm como competências básicas a sensibilidade para perceberem os sinais das crianças e as suas várias formas de linguagem ao  tentarem interpretar o mundo que as rodeia.
 A criança é encorajada a explorar o seu ambiente, organizado de forma que seja rico em possibilidades, e a expressar-se através de todas as suas “linguagens” – desenho, pintura, palavras, movimento, colagens, dramatizações, música, escultura, montagens – o que lhe possibilita inúmeras vivências simbólicas e de criatividade.
O modelo Reggio Emília, ao longo do tempo tem sofrido diversas influências e evoluções de teorias e práticas de autores como, Freinet, Dewey,Vygotsky, Erickson, Piaget, Bronfenbrenner, Howard Gardner, Shaffer, Gabriel Mugny, etc.,. Mas na sua essência permanece a teoria construída pela prática de Loris Malaguzzi “(…) incentiva o desenvolvimento intelectual das crianças dando apoio e estímulo sistemático à sua representação simbólica.” (Elisa Leandro)
Em termos de princípios preconiza-se respectivamente:

  • Observar, Registar e Tratar a informação – através da Documentação percebe-se o que se deve investir em termos de qualidade. Exige uma escuta atenta e cuidada e o acompanhamento, a par e passo, do percurso da criança. Implica o cuidado de registar e documentar todo o trabalho e eventos que acontecem por meio da escrita, de fotos e de filmagens. Essa documentação é partilhada com as crianças, pais, outros membros da escola e com a comunidade.
  • Clima de interacção – a comunicação e a relação são valorizadas como elementos essenciais para o desenvolvimento da criança. O trabalho de equipa é o eixo central que orienta todos os parceiros educativos envolvidos no processo educativo. Considera-se que, a não contribuição de alguém é uma perca para a aprendizagem de todos. A escola é um lugar de partilha entre adultos e crianças, em que ambos são construtores de saberes. Em Reggio Emília a educação é estruturada tendo por base o relacionamento e a participação.
  • Organização do tempo – o tempo, apesar de não ser regulado exaustivamente, contempla sete momentos distintos: acolhimento, planificação em grupo, actividades e projectos, intercâmbio em grupo de aprendizagens realizadas, almoço, actividades e projectos, reunião do grupo, em grande grupo.
  • Organização do espaço – o espaço é planeado pelos educadores, artista plástico, o pedagogo e arquitectos. Deverá reflectir ideias, valores e atitudes e em simultâneo facilitar a exploração e a aprendizagem cooperativa. O espaço está organizado na área de entrada/hall, reproduzindo a topologia da cidade (a Praça) , casa de banho, decorada com muitos espelhos e representações da criança, sala de actividades com mini atelier, biblioteca, atelier para trabalhar com o atelierista, arquivo, memória do centro e  armazém de materiais, espaço exterior organizado para projectos de descoberta (ex: grandes panos de cores).
  • Papel do educador – organizar um ambiente rico e estimulante; utilizar a escuta como motor e base do currículo emergente; incentivar a resolução de problemas; promover experiências e aprendizagens diversas; observar e registar os momentos e acções das crianças.
  • Atelier – deve favorecer o ambiente de pesquisa; o atelierista sugere novos materiais e novas formas de os utilizar, participa e articula activamente com os educadores e pedagogo; em simultâneo documenta e divulga projectos em curso, e estimula a reciclagem criativa, a reutilização dos materiais.
  • Papel do pedagogo – apoia e implementa a Filosofia do Projecto no sistema educativo, organiza o espaço físico com os outros membros da equipa, colabora na planificação do projecto e orienta as acções com as famílias.
  • Pais e comunidade – o envolvimento com as famílias é permanente e em todas as acções educativas, como projectos, passeios, momentos especiais e na manutenção da escola. As famílias integram o conselho da escola.
  • Abordagem metodológica – é centrada em problemas e na elaboração de projectos
  • Trabalho de Projecto – é a metodologia utilizada que integra a comunidade envolvente como dinamizadora dos projectos. Estes surgem de contextos de investigação e de experiências em grupo. No seu planeamento, elaboram-se os objectivos gerais, formulam-se várias hipóteses, em que se definem objectivos flexíveis e adaptados aos interesses e necessidades das crianças. Os educadores, atelierista e pedagogo antecipam possíveis caminhos, que são escolhidos livremente pelas crianças apoiados pelos educadores, que com eles constroem caminhos.
  • Currículo emergente – é um currículo que se constroi continuamente a partir  dos interesses e necessidades das crianças, das várias formas de descoberta dos tópicos relacionados com a vivência, ligados à experiência concreta e aos problemas colocados.
  • Planeamento e avaliação – é elaborado pelos educadores com as crianças e pelos educadores em equipa. Requer a observação e registo sistemático. São utilizados vários instrumentos e suportes de avaliação. Existem Portfolios, dos vários projectos realizados e dos que estão a ser vividos, e ainda  portfolios das  aprendizagens das crianças.

Após a visita à exposição e consulta de documentação as educadoras Cláudia Ramos e Katherine Silva apresentaram a sua prática inserida no Modelo Reggio Emília. Ambas leccionam na Obra Social Paulo VI, uma instituição construída de raiz e que fisicamente possui algumas das características das escolas Reggio-Emilianas.
As salas de trabalho estão situadas ao redor de uma Praça Central em forma de quadrado, onde se realizam as festas, as exposições. É um local de encontro em que se promove a comunicação.
Nas salas de trabalho são valorizados os aspectos artísticos como incentivo ao desenvolvimento e crescimento das crianças, de modo a que dos interesses das crianças surjam projectos dinamizadores de aprendizagens e de experiências.
No espaço de Atelier as crianças exploram com as mãos e a mente diversos materiais, aprendem a utilizar diversas técnicas de expressão e educam a sua sensibilidade estética. É uma área transversal a todas as outras áreas de trabalho, como um laboratório de expressão plástica, um espaço de prazer e aprendizagem.
O planeamento pressupõe a organização dos materiais, pensamentos e situações de aprendizagem. Está inerente, a comunicação entre crianças, educadores e famílias. A adaptação às necessidades e interesses das crianças é um critério do currículo emergente do modelo pedagógico.
Em Reggio Emília o projecto não é criado ao acaso. Resulta de uma exploração de tópicos que se revelam interessantes para conduzir o trabalho de observação e pesquisa das crianças .  Esses tópicos surgem de situações e experiências relevantes para as crianças. Um bom projecto é aquele que aguça o interesse das crianças, que está próximo da experiência delas e é rico em possibilidades que permitam variadas actividades significativas.
Com base nestes pressupostos as educadoras apresentaram um projecto desenvolvido com as suas crianças.
Em síntese: “O objectivo do projecto educacional Reggio Emília é, segundo os seus educadores criar uma criança protagonista, investigadora, capaz de descobrir os significados das novas relações e de perceber os poderes de seus pensamentos por meio da síntese de todas as linguagens: expressivas, comunicativas e cognitivas.” (Portal educacional)

Por Manuela Moreira in http://apei.no.sapo.pt/novo/jornadas/rem.html

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